Quem tem dificuldade para tomar decisões quase nunca tem falta de informação. O que trava é o medo de escolher errado, e ele cresce quanto mais você espera.
Duas descobertas ajudam. Uma revisão de 50 experimentos mostrou que, em média, ter mais opções não tornava a escolha mais difícil, mas que isso variava muito. Ou seja, depende da situação. E, num grande experimento, pessoas que estavam indecisas diante de uma decisão importante tiraram cara ou coroa. Seis meses depois, aquelas a quem a moeda mandou mudar alguma coisa estavam mais felizes do que aquelas a quem a moeda mandou deixar como estava.
Escolha o caminho conforme o tipo de decisão:
- Defina o que é suficiente antes de comparar as opções.
- Estabeleça um prazo para decisões que podem ser revertidas.
- Teste em pequena escala quando der para experimentar.
- Mantenha um diário de decisões se você quer aprender a escolher melhor.
Um primeiro passo hoje: escolha uma decisão que você vem adiando e anote a data em que ela precisa estar tomada.
Quem tem dificuldade para tomar decisões quase nunca tem falta de informação. Você já leu, comparou e perguntou. O que trava é o medo de escolher errado, e ele cresce quanto mais você espera, porque cada dia de reflexão faz a decisão parecer mais importante. Este artigo mostra o que a pesquisa diz sobre escolhas demais e sobre grandes decisões de vida, e traz quatro saídas da ruminação.
Mais opções nem sempre dificultam a escolha
Um dos experimentos mais famosos da psicologia foi feito num supermercado. Em 2000, Iyengar e Lepper deixaram clientes provar geleias numa mesa com 24 ou com 6 sabores. Mais gente parou na mesa grande, mas, entre os que pararam, menos pessoas compraram. A descoberta virou uma ideia inteira: escolhas demais nos paralisam.
Em 2010, Scheibehenne, Greifeneder e Todd reuniram 50 experimentos sobre exatamente isso, com pouco mais de 5.000 participantes. Em média, ter mais opções quase não fazia diferença. Mas os estudos variavam muito entre si. Em alguns, muitas opções dificultavam a escolha; em outros, facilitavam; e em alguns não faziam diferença. Os pesquisadores não conseguiram apontar nenhum fator isolado que sempre causasse sobrecarga.
Isso significa que "escolhas demais" não explica tudo quando você trava. O que costuma dificultar é não saber o que você quer, ter opções difíceis de comparar ou ter medo de se arrepender. É aí que a ajuda faz diferença.
Dois tipos de decisão
A maior parte do que você passa muito tempo ponderando pode ser revertida. Um celular novo pode ser devolvido, uma nova rotina pode ser trocada depois de uma semana, um curso pode ser abandonado. Esse tipo de decisão não melhora com mais tempo. Ela ganha ao ser tomada, para que você veja como as coisas ficam.
Algumas decisões são difíceis de reverter: mudar de casa, pedir demissão, terminar um relacionamento. Nesses casos, faz sentido pensar com calma. Mas mesmo aí existe uma armadilha: ficar onde está só porque não escolher parece mais seguro.
O que um cara ou coroa mostrou
O economista Levitt convidou pessoas que não conseguiam se decidir diante de uma escolha a deixar que um cara ou coroa decidisse por elas. A moeda dizia "faça a mudança" ou "deixe como está". O experimento foi publicado em 2021 e envolveu milhares de participantes.
Muitos seguiram a moeda. Nas grandes decisões, como pedir demissão ou terminar um relacionamento, quem tirou "faça a mudança" fez uma mudança com mais frequência. Seis meses depois, essas pessoas estavam mais felizes do que as que tiraram "deixe como está". A conclusão de Levitt é que as pessoas podem ser cautelosas demais diante de grandes decisões.
- Fez a mudança Mais feliz e mais satisfeito com a decisão.
- Deixou tudo como estava Não ficou mais feliz por ter esperado.
Quem já pensou muito costuma ganhar mais escolhendo do que esperando.
O estudo tem limites claros. Os próprios participantes procuraram o experimento e já vinham ponderando havia muito tempo. Ele não diz nada sobre decisões que você ainda não avaliou e não significa que mudar seja sempre o certo. Mas pesa contra esperar só porque parece seguro. Como isso pode funcionar no trabalho está em mudar de emprego ou ficar.
Quatro saídas da ruminação
Defina o que é suficiente. Para quem compara sem fim. Antes de olhar as opções, anote as duas ou três coisas que precisam estar certas. Depois, escolha a primeira opção que atenda a elas, em vez de procurar a melhor. Primeiro passo: escreva três requisitos para a decisão que você está adiando há mais tempo.
Estabeleça um prazo. Para decisões que podem ser revertidas. Decida quanto tempo você pode pensar: quinze minutos para algo do dia a dia, uma semana para algo maior. Quando o tempo acabar, escolha a opção mais à mão. Primeiro passo: anote uma data para a decisão e conte para alguém.
Teste em pequena escala. Para decisões que dá para testar antes de se comprometer. Faça uma aula experimental, trabalhe uma semana do jeito novo, viva com o novo plano por sete dias. O que você aprende testando não dá para descobrir só pensando. Primeiro passo: escolha a menor versão de uma das opções e faça isso esta semana.
Mantenha um diário de decisões. Para quem quer aprender a escolher melhor, e este é o caminho mais exigente. Anote cada decisão importante: o que você escolheu, por quê e quão seguro estava. Releia a anotação depois de três meses. Assim você vê quantas vezes a preocupação se confirmou e quantas vezes você acertou, e a próxima decisão fica mais fácil. Primeiro passo: escreva a primeira anotação sobre uma decisão que você tomou esta semana.
Um truque simples funciona com os quatro. Tire cara ou coroa entre duas opções e preste atenção no que você sente quando a moeda cai. Você fica aliviado ou decepcionado? Muitas vezes, aí você descobre o que realmente queria.
Quando a angústia de decidir toma conta
Ter dificuldade para escolher de vez em quando é humano. Mas, se você já não consegue tomar pequenas decisões, como o que comer ou vestir, e isso vem acompanhado de preocupação, desânimo ou problemas de sono por várias semanas, a indecisão pode ser sinal de algo mais. Nesse caso, converse com um médico ou outro profissional de saúde. Mais sobre preocupações que não vão embora está no guia de Mente.
Um primeiro passo hoje: escolha uma decisão que você vem adiando e anote a data em que ela precisa estar tomada.
Isto é a compreensão e um primeiro passo. O Atlas é onde isso vira hábito. Em Mente, você encontra Esvaziar a cabeça, em que você escreve as opções e as preocupações para vê-las no papel, e Três respirações, para o momento antes de decidir. Você registra o que faz e acompanha, semana a semana, como está indo. Experimente o Atlas grátis por 7 dias e cancele quando quiser.

