Muita gente sente que a cabeça clareia na natureza, e há pesquisas que apontam na mesma direção. O efeito parece ter menos a ver com ar fresco e mais com o que a natureza faz com os pensamentos.
Em um estudo, adultos saudáveis caminharam por 90 minutos, ou em uma área verde ou ao longo de uma rua movimentada. Depois da caminhada na natureza, eles ruminaram menos, e uma região do cérebro associada à ruminação ficou menos ativa. Depois da caminhada na cidade, nenhuma diferença desse tipo apareceu. Em uma grande pesquisa de opinião, sentir-se bem também era bem mais comum entre quem tinha passado pelo menos duas horas na natureza na última semana.
Escolha o caminho de acordo com a sua rotina:
- Minutos verdes no dia a dia se você tem pouco tempo.
- Um passeio mais longo por semana se você consegue reservar umas duas horas.
- Deixe os fones em casa se você já caminha ao ar livre.
- Duas horas por semana se você quer ir mais longe.
Um primeiro passo hoje: caminhe dez minutos no parque ou na área verde mais próxima, sem o celular na mão.
Muita gente sente que a cabeça clareia com uma caminhada no bosque ou à beira d'água. Parece óbvio, mas a pergunta é: o que está acontecendo de fato? O efeito parece ter menos a ver com ar fresco e mais com o que a natureza faz com os pensamentos: ela atrai a atenção na medida certa e deixa espaço para a cabeça descansar. Este artigo mostra o que a pesquisa diz, quanto tempo parece bastar e traz quatro caminhos para você sair.
A cidade exige atenção, a natureza a devolve
Na cidade, você precisa estar sempre alerta. Carros, bicicletas, placas, pessoas: tudo exige que você escolha para onde olhar. A natureza também prende o olhar, com folhas, água e luz, mas de um jeito que não exige nada de você. Com isso, a parte da atenção que você controla com a força de vontade consegue descansar. Essa ideia, e os primeiros estudos que a testaram, estão em recuperação mental.
Uma caminhada que reduziu a ruminação
Bratman e colegas queriam saber se a natureza afeta a ruminação, ou seja, quando os mesmos pensamentos negativos sobre si mesmo ficam girando na cabeça. Trinta e oito adultos saudáveis na Califórnia, sem doença psíquica, responderam a um questionário sobre ruminação e passaram por um exame do cérebro. Depois, foram sorteados para uma caminhada de 90 minutos, ou por uma área verde com grama, carvalhos e arbustos, ou ao longo de uma rua com três a quatro faixas em cada sentido e trânsito constante. Em seguida, as mesmas medições foram feitas de novo.
Quem caminhou na natureza ruminava menos do que antes da caminhada. Além disso, uma região bem na parte da frente do cérebro, que em outros estudos foi associada à ruminação e ao desânimo, ficou menos ativa. Em quem caminhou pela rua, nenhuma mudança desse tipo apareceu. O estudo foi publicado em 2015 na PNAS.
- Na área verde Menos ruminação, atividade mais calma em uma região ligada à ruminação.
- Ao longo da rua Nenhuma mudança na ruminação.
Não foi a caminhada em si que fez a diferença, e sim por onde ela passou.
O estudo foi pequeno e mediu o efeito logo depois de uma única caminhada. Ele não mostra que a natureza é um tratamento para o desânimo, nem quanto tempo o efeito dura. Mas bate com o que muita gente percebe: é mais fácil soltar um pensamento entre árvores do que no meio do trânsito. Há mais sobre ruminação e como sair dela no guia de Mente.
Duas horas por semana
Quanta natureza é preciso? Em 2019, White e colegas usaram uma grande pesquisa inglesa com quase 20 000 adultos, que responderam quanto tempo tinham passado na natureza na última semana e como se sentiam. Quem tinha passado pelo menos duas horas na natureza durante a semana relatou, com frequência bem maior, ter boa saúde e se sentir bem do que quem não tinha ido à natureza nenhuma vez. Abaixo de uma hora, não aparecia diferença nenhuma, e só a partir de duas horas ela surgia tanto na saúde quanto no bem-estar. O ganho parava de crescer por volta de três a cinco horas.
Não fazia diferença como as duas horas eram distribuídas, se em um passeio longo ou em vários curtos. E a relação também aparecia entre pessoas mais velhas e entre pessoas com doenças de longa duração.
Isso é uma pesquisa de opinião, não um experimento. Ela mostra uma relação, não que a natureza tenha sido a causa. Quem está bem talvez também tenha mais disposição para sair. Mas o limite de duas horas é uma meta razoável para testar, e é menos do que você talvez imagine: pouco mais de quinze minutos por dia.
Quatro caminhos para sair
Minutos verdes no dia a dia. Para você que tem pouco tempo. Escolha um caminho para o trabalho, a escola ou o mercado que passe por um parque ou à beira d'água, mesmo que leve alguns minutos a mais. Almoce em um banco em vez de na mesa de trabalho. Primeiro passo: encontre hoje o caminho verde em um trajeto que você faz com frequência.
Um passeio mais longo por semana. Para você que prefere juntar o tempo. Reserve uma manhã ou uma tarde por semana para um passeio mais longo no bosque, no parque ou perto da água. Duas horas de uma vez bastam para a meta da semana inteira. Primeiro passo: escolha um lugar e marque o passeio na agenda para o fim de semana.
Deixe os fones em casa. Para você que já caminha ao ar livre, mas leva o podcast ou a ligação junto. A natureza só consegue trazer descanso se a atenção puder estar ali. Faça parte do percurso sem som nos ouvidos e repare no que você vê e ouve. Primeiro passo: caminhe os primeiros dez minutos da próxima caminhada sem fones.
Duas horas por semana. Para você que quer ir mais longe, e esse é o caminho mais exigente. Conte o tempo na natureza durante uma semana e mire em pelo menos duas horas. Repare em como a cabeça fica nos dias em que você saiu, comparado com os dias em que não saiu. Primeiro passo: anote hoje à noite quantos minutos você passou ao ar livre hoje.
Se você rumina tanto que isso toma conta do seu dia a dia ou do seu sono, ou se você se sente desanimado por várias semanas, converse com um médico ou outro profissional de saúde. A natureza pode ser um apoio, mas não substitui tratamento.
Um primeiro passo hoje: caminhe dez minutos no parque ou na área verde mais próxima, sem o celular na mão.
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