Um diário de treino acaba com o chute. A lembrança do último treino é vaga e quase sempre generosa demais, e sem uma anotação você não sabe se é hora de aumentar ou de esperar.
Basta uma linha por exercício: carga, repetições e um número para o quanto foi pesado. Esse número é o de repetições na reserva, ou seja, quantas repetições a mais você teria conseguido com boa técnica. A pesquisa sobre essa escala mostra que ela acerta mais quando você está perto do limite, então anote o número depois da última série.
Escolha o jeito que combina com você:
- Papel, uma linha por exercício, se a ideia é ser rápido e nunca depender de celular carregado.
- Um app se você quer ver gráficos e não fazer contas.
- Um registro detalhado se você gosta de dados e quer entender por que algumas semanas rendem mais que outras.
Leia o diário uma vez por semana, não depois de cada treino. É o padrão ao longo das semanas que diz alguma coisa, não um dia ruim isolado.
Um primeiro passo hoje: anote seu último treino de memória, do jeito que der, com um número para o quanto foi pesado. No próximo treino, anote logo depois da última série.
Um diário de treino na academia não precisa ser mais do que uma linha por exercício. Mas essa linha precisa ter a informação certa: não só o que você levantou, mas o quanto foi pesado. Veja o que anotar, três jeitos de manter o diário de acordo com o seu perfil e como lê-lo para que ele realmente diga alguma coisa.
A memória mente sobre a última vez
Sem anotação, todo treino começa com um chute. Foram doze quilos ou catorze? Você fez todas as dez repetições, ou foram oito na última série? A memória responde, mas responde com o que parece provável, não com o que aconteceu. Na maioria das vezes, ela é generosa demais com um dia bom e dura demais com um dia ruim.
Um diário acaba com o chute. Você olha o treino anterior, vê que completou todas as repetições com doze quilos e ainda tinha bastante margem, e sabe que é hora de passar para catorze. A decisão leva três segundos em vez de virar uma sensação. É o mesmo princípio de um treino de academia: aumente uma coisa de cada vez, quando tiver merecido. O diário é o que mostra quando é a hora.
Acompanhar o que você realmente faz está entre as ferramentas mais bem comprovadas para mudar um hábito. A pesquisa por trás, e por que o que faz diferença é o acompanhamento e não a sequência de dias, está em acompanhar seus hábitos.
Um número para o quanto foi pesado
Carga e repetições dizem o que você fez. Não dizem se foi fácil ou se você chegou ao limite. Dez repetições com quarenta quilos podem ser aquecimento num dia e tudo o que você tem em outro. Por isso a linha precisa de mais um número.
O mais simples é o de repetições na reserva: quantas repetições a mais você teria conseguido com boa técnica? Zero significa que você não conseguiria fazer mais nenhuma; três, que ainda tinha três sobrando. Em 2024, Bastos e colegas revisaram 31 estudos que usaram essa escala e concluíram que ela funciona para escolher e ajustar a intensidade do treino. Em 2025, Russo e colegas mostraram numa revisão sistemática que a estimativa fica mais precisa quanto mais perto do limite está a série e quanto mais pesada é a carga.
Para o diário, isso significa duas coisas. Anote o número depois da última série, quando você está mais perto do limite e a estimativa é mais precisa. E conte com que o número melhore com o tempo: nas primeiras semanas ele é uma estimativa grosseira; depois de alguns meses, é uma ferramenta.
Uma linha pode ficar assim: Agachamento 40 kg, 3 × 10, 2 na reserva. É tudo de que você precisa para que o próximo treino comece com uma decisão em vez de um chute.
Três jeitos de manter o diário
Nenhum jeito é o melhor para todo mundo. O melhor é aquele que você ainda usa depois de três meses.
Papel, uma linha por exercício. Para quem quer rapidez e não quer ficar com o celular na mão na academia. Um caderninho na mochila, a data no topo e uma linha por exercício. É o jeito que mais costuma durar, porque nunca precisa ser carregado nem atualizado. Primeiro passo: coloque um caderno e uma caneta na mochila da academia hoje à noite.
Um app. Para quem quer ver gráficos e não fazer contas. Um app lembra o treino anterior por você, mostra esse treino quando você abre o exercício e desenha a evolução das cargas. A desvantagem é que ele tenta você a preencher mais campos do que precisa. Use carga, repetições e um número para o quanto foi pesado, e ignore o resto. Primeiro passo: registre seu último treino no app e veja se consegue encontrá-lo de novo em dez segundos.
Um registro detalhado. Para quem gosta de dados e quer entender por que algumas semanas rendem mais. Acrescente sono, energia antes do treino e um comentário curto se algo chamou atenção. Depois de alguns meses, você enxerga padrões que nenhuma linha isolada mostra, por exemplo que os treinos depois de noites mal dormidas pesam mais. É o jeito mais exigente, e ele pede que você leia o registro, não só que o preencha. Primeiro passo: acrescente uma coluna para como você dormiu e preencha a partir do próximo treino.
Leia uma vez por semana
Um diário em que você só escreve é só um arquivo. É a leitura que o transforma em ferramenta, e o melhor ritmo é uma vez por semana, não depois de cada treino. Depois de um treino isolado, você vê um dia ruim. Depois de uma semana, você vê uma direção.
- Treine e anote Carga, repetições e o quanto foi pesado.
- Leia uma vez por semana Depois de uma semana, aparece uma direção.
- Pergunte Algo está estagnado? Ficou mais pesado? Você perdeu treinos?
- Ajuste Troque de variação, baixe a carga e volte a subir, ou aumente.
Faça três perguntas ao ler. Algum exercício está estagnado há três semanas? Então é hora de trocar de variação ou baixar a carga e voltar a subir. O número para o quanto foi pesado foi caindo aos poucos, mostrando treinos mais difíceis, em vários exercícios ao mesmo tempo? Então pode ser o sono, o estresse ou pouco descanso, não a força. E você perdeu treinos? Conte quantos, sem se julgar. É o ritmo que constrói força, não um recorde isolado.
Se quiser aumentar a dificuldade, o diário é o que mostra quando faz sentido: quando a maioria dos exercícios fica com três ou mais repetições na reserva na última série, semana após semana, o treino está fácil demais.
Quando o diário vira um problema
Um diário deve deixar o treino mais leve, não mais pesado. Se você perceber que evita a academia para não anotar um número pior, ou que continua mesmo sentindo dor só para a linha ficar bonita, o diário mudou de papel. Aí é melhor anotar menos por um tempo, ou só marcar que você foi.
E se os números começarem a virar um jeito de se punir, pelo que você comeu ou pela sua aparência, converse com alguém de confiança ou com um médico ou outro profissional de saúde. Os números existem para que o treino se sustente, não para julgar você.
Um primeiro passo hoje: anote seu último treino do jeito que conseguir lembrar, com um número para o quanto foi pesado.
Se quiser colocar aeróbico na sua semana, a próxima parte da série é sobre caminhada como exercício.
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