Análise · Hábitos de uso de telas
Tempo de tela para crianças — o que dizem as recomendações e por quê
Tempo de tela para crianças: as recomendações da Autoridade de Saúde Pública por faixa etária, em que se baseiam e por que o mais importante é o que a tela substitui — e não a tela em si.
Zenith Editorial
24 de setembro de 2026 · 4 min de leitura
Desde 2024, o tempo de uso de telas por crianças conta com diretrizes oficiais na Suécia: A Agência de Saúde Pública recomenda que crianças menores de dois anos não passem nenhum tempo diante da tela; no máximo uma hora por dia para crianças entre dois e cinco anos; de uma a duas horas para crianças de seis a doze anos; e de duas a três horas para adolescentes. Esses valores se referem ao tempo de lazer, não às atividades escolares. Elas não se baseiam na ideia de que o uso de telas seja comprovadamente prejudicial — a pesquisa não é unânime quanto a isso —, mas sim no que o uso de telas pode tirar: sono, atividade física e tempo com outras pessoas.
As recomendações, faixa etária por faixa etária
As recomendações da Autoridade de Saúde Pública dividem crianças e jovens em quatro grupos:
- Menos de 2 anos: nenhum tempo de tela.
- 2 a 5 anos: no máximo 1 hora por dia.
- 6 a 12 anos: no máximo 1 a 2 horas por dia.
- 13 a 18 anos: no máximo 2 a 3 horas por dia.
Além dos limites de tempo, as recomendações enfatizam alguns aspectos que muitas vezes são esquecidos: os aparelhos eletrônicos não devem ser usados logo antes de dormir nem permanecer no quarto durante a noite, e os pais devem estar atentos ao que as crianças estão fazendo na tela, não apenas por quanto tempo. Recomendamos que você mesmo verifique a versão mais recente na Autoridade de Saúde Pública, pois as recomendações são atualizadas.
Trata-se do tempo que o aparelho eletrônico rouba
É fácil interpretar as recomendações como um alerta de que os aparelhos eletrônicos são perigosos. Mas não é exatamente isso que elas dizem. A ideia é, na verdade, que um dia tem apenas um certo número de horas, e que as crianças precisam de muito sono, atividade física e interação com outras pessoas para se sentirem bem e se desenvolverem. Cada hora passada diante de uma tela é uma hora que não é dedicada a nada disso.
Isso também explica por que o sono tem tanta importância. Uma tela no quarto pode adiar a hora de dormir e perturbar o sono, e a falta de sono afeta tudo, desde o humor até a concentração no dia seguinte.
A pesquisa está dividida — vamos falar a verdade
Há um debate acalorado sobre o quão prejudiciais as telas realmente são para crianças e jovens, e vale a pena conhecer esse debate.
Amy Orben e Andrew Przybylski analisaram grandes conjuntos de dados envolvendo centenas de milhares de jovens. Eles identificaram uma correlação negativa entre o uso de tecnologia digital e o bem-estar, mas ela era muito pequena — tão pequena que outros fatores cotidianos presentes nos mesmos dados apresentavam correlações de magnitude semelhante.
Do outro lado está, entre outros, o psicólogo social Jonathan Haidt, que, no livro *The Anxious Generation*, defende que os smartphones e as redes sociais são uma das principais causas do aumento dos problemas de saúde mental entre os jovens, e que a sociedade deve agir com firmeza.
Ambos os lados são formados por pesquisadores sérios, e tiram conclusões parcialmente diferentes a partir de dados parcialmente iguais. A verdade é que a questão ainda não está decidida. As recomendações da Autoridade de Saúde Pública devem ser vistas como um princípio de precaução — uma maneira razoável de agir quando não se tem certeza — e não como prova de que as telas fazem mal.
As crianças imitam o que você faz
A parte incômoda da questão não diz respeito às crianças. As crianças aprendem hábitos tanto observando o que os adultos fazem quanto pelo que os adultos dizem. Um pai ou mãe que limita o tempo de tela do filho, mas fica com o celular na mão durante o jantar, ensina uma regra diferente daquela que é dita em voz alta.
É por isso que o tempo de tela das crianças quase sempre se torna também uma questão relacionada aos hábitos dos adultos. Como isso se apresenta da perspectiva das crianças e como isso afeta o relacionamento entre pais e filhos é descrito no artigo sobre o celular na frente das crianças.
Veja como colocar as recomendações em prática no dia a dia
Comece pelo quarto. Nenhuma tela no quarto à noite é a regra mais fácil de explicar e a que protege mais diretamente o sono. Carregue todos os celulares no mesmo lugar, inclusive os dos adultos.
Pense no conteúdo, não apenas no tempo. Uma hora de videochamada com a vovó não é a mesma coisa que uma hora sozinho com reprodução automática.
Crie momentos sem telas em família. As refeições e a última hora antes de dormir funcionam melhor quando toda a família participa.
Leve em conta o tempo de lazer, não os trabalhos escolares. As recomendações se referem ao tempo de lazer, portanto, lições de casa e tarefas escolares não são incluídas.
Quem quiser comparar com a situação dos adultos pode ler o artigo sobre quanto tempo de tela é considerado excessivo, e o panorama mais amplo dos hábitos de uso de telas está no guia sobre como parar de rolar a tela. Se você estiver preocupado com o bem-estar ou o comportamento de uma criança, converse com o serviço de saúde infantil, o serviço de saúde escolar ou a equipe de saúde — um artigo não substitui uma avaliação.
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Este artigo foi escrito pela Zenith e descreve a metodologia utilizada no Protocolo Zenith. O conteúdo não constitui aconselhamento médico. Os resultados individuais podem variar.
